Justiça

Senado SP: Favoritos faltam a debate; veja o que ninguém contou

Palco de debate ao Senado em SP com pódios vazios dos favoritos André do Prado e Guilherme Derrite
Cadeiras vazias dos líderes nas pesquisas marcam debate ao Senado por São Paulo na TV Globo.

Quatro candidatos ao Senado por São Paulo subiram ao palco nesta sexta-feira (25), mas as duas cadeiras mais cobiçadas da disputa estiveram vazias. O encontro realizado nos estúdios da TV Globo expôs propostas sobre economia e segurança, mas a ausência de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) — confirmados até a véspera — roubou a cena. O que essa desistência de última hora sinaliza para o segundo maior colégio eleitoral do país?

A dinâmica do confronto e os temas que importam para o setor produtivo

Mediado pela jornalista Ana Paula Campos, o debate durou cerca de duas horas e dividiu o tempo entre perguntas de jornalistas e confronto direto entre os postulantes. Geraldo Rufino (Podemos), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania) responderam a blocos temáticos que cortam o cerne da gestão pública e do ambiente de negócios.

A pauta foi densa e técnica, escapando do raso discurso eleitoral. Confira os eixos centrais:

  • Emendas parlamentares: transparência e critérios de distribuição dos bilhões do orçamento secreto.
  • Trabalho e emprego: modernização da CLT, informalidade e qualificação profissional.
  • Educação: financiamento do Fundeb, ensino técnico e valorização docente.
  • Relação entre Poderes: independência do Legislativo, ativismo judicial e freios e contrapesos.
  • Crime organizado: integração de inteligência, facções e segurança nas fronteiras.
  • Meio ambiente: licenciamento, mercado de carbono e agro sustentável.

Por que a ausência do PL e do PP pesa mais que as falas

Prado e Derrite participaram da reunião preparatória na quinta-feira (24). Na manhã seguinte, emitiram nota conjunta alegando “agenda inadiável” que impossibilitou a presença de ambos. A justificativa genérica não convenceu analistas: ambos são nomes alinhados ao Palácio do Planalto e lideram pesquisas de intenção de voto em segmentos conservadores.

Para o eleitorado de negócios, a fuga tem leitura direta: quem evita o contraditório em temas como emendas e relação entre Poderes pode ter dificuldade em defender pautas de desburocratização e segurança jurídica no plenário. A ausência transforma o debate em um “teste de estresse” apenas para a oposição e centro, tirando do radar a defesa do governo federal.

Duas vagas, um eleitorado fragmentado

Em outubro, o paulista vota em dois nomes para a Câmara Alta. Diferente da disputa majoritária única (governador/presidente), o voto duplo pulveriza apoios e exige coalizões amplas. Simone Tebet e Marina Silva arrivam com capital político nacional e tempo de TV expressivo; Rufino aposta no discurso de gestão privada; Soninha, na capilaridade municipal.

Com a saída dos bolsonaristas do palco, o espaço para capturar o voto “antissistema” ou “direita raiz” fica órfão de representante no tempo real. Isso pode beneficiar quem souber ocupar o vácuo nas redes sociais nas próximas 48 horas.

O que observar daqui para frente

A campanha oficial começa em 16 de agosto. Três variáveis definirão a reta final: a divisão do tempo no horário eleitoral (onde PL e PP têm as maiores bancadas), a capacidade de captação de recursos via fundo partidário e a agenda de sabatinas em entidades de classe — FIESP, Fecomercio e Febraban costumam ditar o tom das propostas econômicas.

Fique atento: a próxima pesquisa Datafolha/Ipec trará o termômetro se a estratégia do “silêncio estratégico” de Prado e Derrite funcionou ou se o debate vazio cobrou seu preço. Quem leu até aqui sabe: no Senado, ausência também é voto.