A Petrobras confirmou que a estreia de suas unidades exclusivas para produzir combustível sustentável de aviação (SAF) escorregou em um ano, mirando agora 2030. A revelação partiu do diretor William França e mexe diretamente com as expectativas do mercado de transição energética. Mas a estatal garante: o compromisso com a aviação verde não parou.
A nova cronologia das refinarias
A principal vítima do atraso é a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP). Prevista para 2029 no plano anterior, a unidade de 16 mil barris/dia só deve operar em 2030. O Complexo Boaventura, em Itaboraí (RJ), com 19 mil barris/dia, e a Replan, em Paulínia (SP), com 10 mil barris/dia, foram empurrados para 2031.
Em contrapartida, a produção via coprocessamento — mistura de matéria-prima renovável ao petróleo — segue acelerada. Essa rota permite antecipar volumes sem esperar as obras das unidades dedicadas.
Onde a Petrobras já produz SAF hoje
Enquanto as grandes obras avançam, a estatal já tem capacidade instalada funcionando ou prestes a estrear:
- Reduc (RJ): coprocessamento operando e certificado.
- Revap (SP) e Regap (MG): projetos implantados, em fase final de certificação.
- Replan (SP): implantação prevista para encerrar 2024.
Essa frente garante oferta imediata e cumpre a meta de atender ao Corsia — o esquema global de compensação de carbono da aviação — entre 2027 e 2030.
Estratégia mira o agronegócio como fornecedor-chave
França foi direto: a transição energética da Petrobras passa pelo campo. A lista de insumos em negociação ou testes inclui etanol, óleo de milho, soja, sebo bovino e óleo de cozinha usado. A ideia é substituir progressivamente a carga fóssil por resíduos e biomassas agrícolas.
O movimento aproxima a petroleira de tradings e cooperativas, criando uma nova cadeia de suprimento que pode redefinir a logística do interior para as refinarias.
O que vem no próximo plano de negócios
O novo plano estratégico (2027-2031) será divulgado até o fim do ano. A sinalização é de foco pesado em biorrefino, com metas de aumento da participação de insumos renováveis no portfólio. Não se trata apenas de SAF: diesel renovável (HVO) e nafta verde entram no mesmo pacote de investimentos.
Ponto de atenção para investidores e compradores
O atraso nas unidades dedicadas posterga a escala industrial pura — aquela que não depende de petróleo. Para quem negocia contratos de longo prazo ou avalia ativos de bioenergia, o sinal é claro: o coprocessamento será a ponte obrigatória até 2031. Acompanhe a certificação de Revap e Regap nos próximos meses; ela dita o ritmo real de oferta no curto prazo.
