Economia

O plano que pode transformar o Sertão paraibano em rota de grandes eventos

Sertão da Paraíba com destaque para Patos e projeto de centro de convenções moderno
Patos pode ganhar centro de convenções e colocar o Sertão paraibano na rota de grandes eventos nacionais.

O governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP) acaba de colocar o Sertão da Paraíba no mapa dos grandes eventos nacionais. A promessa de erguer um Centro de Convenções em Patos não é apenas mais uma obra de campanha — é uma aposta econômica que pode redirecionar fluxos de turismo e negócios para uma região historicamente esquecida pelo circuito de grandes encontros corporativos e culturais.

A declaração aconteceu durante o Imagineland, em Campina Grande, evento que estreia o teatro Shaolin no novo Centro de Convenções da cidade. O simbolismo não passou despercebido: o próprio palco que recebia a plateia serviu de prova viva do argumento do candidato.

Por que Patos e não outra cidade do interior

A escolha de Patos não é aleatória. A cidade já funciona como polo regional de serviços, comércio e saúde para dezenas de municípios do entorno. Tem infraestrutura hoteleira em expansão, acesso pela BR-230 e pela BR-361, e aeroporto com capacidade para receber voos fretados — gargalo comum em outras cidades do interior.

Dados da Secretaria de Turismo mostram que o Sertão responde por menos de 5% dos eventos de grande porte realizados no estado. A maioria se concentra no litoral e no Agreste. Um equipamento em Patos inverteria essa lógica, permitindo que feiras do agronegócio, congressos médicos, encontros de tecnologia e festivais culturais deixassem de migrar para Recife, Fortaleza ou Natal.

O efeito Campina Grande como referência

O Centro de Convenções de Campina Grande, inaugurado em 2023, já recebeu mais de 120 eventos em seu primeiro ano de operação. Entre eles, a Feira Internacional de Negócios, o Congresso Brasileiro de Cardiologia e o próprio Imagineland, que reuniu 30 mil pessoas em três dias.

Segundo a organização do evento geek, a existência do espaço foi condição sine qua non para a realização da edição nordestina. “Sem o teatro e a estrutura de apoio, o Imagineland não viria para Campina”, resumiu um dos produtores à imprensa local.

O raciocínio de Ribeiro replica essa equação: equipamento pronto → atração de eventos → geração de receita → retorno do investimento.

O que muda para o empresário local

  • Hotéis e pousadas: taxa de ocupação em finais de semana de eventos costuma saltar de 40% para 85%
  • Restaurantes e bares: aumento médio de 60% no faturamento nos dias de congresso
  • Transportes e logística: demanda por transfers, fretamentos e locação de veículos cresce em cascata
  • Serviços especializados: tradução simultânea, montagem de estandes, segurança, limpeza — cadeia inteira se forma ao redor do equipamento

Um estudo da Fecomércio-PB estima que cada real investido em centros de convenções retorna R$ 4,7 em impostos e movimentação econômica direta no raio de 100 km.

Os próximos passos — e o que fica no radar

Até o momento, não há edital publicado, nem cronograma de licitação, nem valor orçado divulgado oficialmente. A promessa foi feita em palanque, o que exige do eleitor e do setor produtivo a cobrança por prazos e fontes de financiamento — se virão do tesouro estadual, de parcerias público-privadas ou de emendas federais.

Ribeiro cumpre agenda ainda nesta sexta-feira (25) com comícios em Itaporanga e Piancó, ambas no Sertão. A continuidade do discurso nessas cidades dirá se a proposta entra no plano de governo registrado no TRE ou permanece como fala de campanha.

O que observar daqui para frente

Três sinais concretos vão separar intenção de execução nos próximos meses: a inclusão da obra na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2025, a publicação de termo de referência para projeto executivo e a definição do modelo de gestão — se pública, concessão ou PPP. Quem atua no trade turístico do Sertão já começou a se movimentar para exigir assento nessa mesa de negociação. Afinal, equipamento vazio vira elefante branco; equipamento com calendário cheio vira motor de desenvolvimento.