O candidato ao governo de Goiás, Wilder Morais (PL), apresentou uma proposta que coloca dinheiro direto no bolso do empresário disposto a dar a primeira chance a um jovem. Durante agenda na Fecomércio nesta sexta-feira (25), o postulante detalhou o mecanismo: o Estado arca com meio salário mínimo nos seis primeiros meses de carteira assinada para quem nunca trabalhou.
A ideia ataca dois gargalos ao mesmo tempo: a porta fechada para quem não tem currículo e o custo inicial que afasta o contratante. Mas o pacote vai além da folha de pagamento.
CNH do Trabalho: habilitação paga pelo Estado
Morais anunciou a criação da “CNH do Trabalho”. O programa bancaria a habilitação nas categorias A (moto), D (ônibus) e E (caminhão), direcionando o recém-habilitado para vagas em transportadoras, indústrias e no agronegócio. O objetivo declarado é resolver a falta de mão de obra qualificada sem obrigar o goiano a migrar para outros estados.
Na prática, o candidato propõe transformar a carteira de motorista em passe livre para empregos que hoje ficam abertos por falta de condutor habilitado.
O que está em jogo para o empresário goiano
- Subsídio direto de 50% do salário mínimo por seis meses por vaga de primeiro emprego
- Fim do custo de habilitação para motoristas profissionais
- Foco em setores que mais reclamam de escassez: comércio, serviços, turismo, indústria e agro
A conta, segundo a campanha, seria absorvida pelo orçamento estadual — detalhes de fonte de recurso e impacto fiscal não foram divulgados até o momento.
Cenário eleitoral e a força da proposta
Pesquisa Quaest mais recente coloca Morais com 15% das intenções de voto, atrás de Daniel Vilela (42%) e Marconi Perillo (19%). A aposta em medidas de efeito imediato no bolso do empregador e do trabalhador tenta furar a polarização entre os dois líderes. O encontro na Fecomércio sinaliza busca de respaldo do setor produtivo para viabilizar o discurso de “governo parceiro do negócio”.
O que observar daqui para frente
Três pontos definirão se a promessa sai do papel: a definição de “jovem sem experiência” (idade, tempo de carteira assinada), a modelagem orçamentária para sustentar o subsídio em escala e a capacidade de fiscalização para evitar fraudes — como demissões programadas no sétimo mês. Se eleito, Morais terá de negociar a matéria na Assembleia Legislativa, onde a base de apoio ainda é incerta. Para o empresário, a decisão prática passa por calcular: o incentivo cobre o risco de treinar quem nunca trabalhou? A resposta virá nos próximos debates e no detalhamento do plano de governo.
