Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (25) coloca Eduardo Braide (PSD) com 46% das intenções de voto no governo do Maranhão, quase o dobro de Orleans Brandão (MDB), que marca 27%. O cenário de segundo turno, porém, esconde um alerta crítico para quem aposta na continuidade administrativa: o candidato da base governista carrega a maior taxa de rejeição da disputa.
O levantamento, encomendado pela TV Mirante e registrado sob os números MA-07074/2026 e BR-04892/2026, ouviu 900 eleitores entre 21 e 24 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais.
O mapa das intenções: consolidação ou teto?
Na pesquisa estimulada — quando os nomes são apresentados —, Braide oscilou positivamente de 44% para 46% em um mês. Orleans subiu de 25% para 27%, enquanto Felipe Camarão (PT) deu o maior salto proporcional: dobrou de 6% para 10%. Roberto Rocha (PRTB) estacionou em 3%.
O dado que salta aos olhos para analistas de risco político é a solidez do eleitorado: 70% afirmam que o voto é definitivo. Apenas 28% admitem possibilidade de mudança até 4 de outubro. Em tese, isso reduz a volatilidade, mas expõe a dificuldade de virada para quem está atrás.
- Braide (PSD): 46% (era 44% em ago/24)
- Orleans (MDB): 27% (era 25%)
- Camarão (PT): 10% (era 6%)
- Rocha (PRTB): 3% (estável)
- Indecisos: 9% (caíram de 17%)
Simulações de segundo turno: a “máquina” contra o favorito
Em todos os cinco cenários testados, Braide vence. Contra Orleans, a vantagem é de 55% a 33%. Frente a Camarão, abre 66% a 20%. Diante de Rocha, 68% a 13%.
O cenário muda radicalmente quando Braide é retirado da equação: Orleans assume a liderança com 47% contra Camarão (27%) e 53% contra Rocha (18%). Isso confirma que o eleitorado de Braide não transfere voto automaticamente para o palanque governista — um sinal de alerta para a articulação do MDB.
O “X” da questão: rejeição e transferência de capital político
Aqui reside o ponto nevrálgico para estratégias de médio prazo. Orleans Brandão e Roberto Rocha empatam na liderança da rejeição: 38% dos eleitores dizem que “conhecem e não votariam” neles.
Para comparação, Braide tem apenas 21% de rejeição — o menor índice entre os principais nomes — e 58% de intenção de voto espontânea (“conhece e votaria”). Felipe Camarão registra 34% de rejeição, mas viu seu “não conhece” cair de 50% para 40%, indicando espaço para crescer.
O governo Carlos Brandão (MDB) tem 55% de aprovação, estável. Contudo, apenas 49% acham que ele merece eleger um sucessor. A avaliação “regular” predomina (37%), sugerindo que o eleitor aprova a gestão, mas não delega cheque em branco para a continuidade.
O que o empresariado deve monitorar: saúde e infraestrutura
Quando questionados sobre o principal problema do estado, os maranhenses apontam:
- Saúde: 26%
- Infraestrutura: 18%
- Outros: 16%
- Não sabe/não respondeu: 13%
Para investidores, esses dois eixos ditam custos logísticos, disponibilidade de mão de obra saudável e qualidade de vida para atração de talentos. Qualquer plataforma vencedora terá de endereçar esses gargalos com orçamento real.
O que observar nas próximas semanas
Com 9% de indecisos e 28% de eleitores passíveis de mudança, a reta final ainda comporta movimento — especialmente se Camarão consolidar a curva de crescimento e for ao segundo turno. O debate sobre a sucessão de Brandão deixou de ser “se” Orleans chega lá para ser “como” ele supera a barreira dos 38% de rejeição. Para o mercado, a leitura é clara: cenário de alta previsibilidade no topo da chapa (Braide), mas incerteza sobre a composição da base de apoio parlamentar e a agenda de investimentos em saúde e logística.
