Justiça

Grupo de Wagner na Bahia recebia R$ 3 mi por mês, revela Vorcaro

Ilustração sobre esquema de corrupção na Bahia com senador Jaques Wagner e valores de R$ 3 milhões mensais segundo delação Vorcaro
Esquema de pagamentos ao grupo de Wagner na Bahia chegava a R$ 3 milhões por mês, revela delação de Ricardo Vorcaro.

O esquema de pagamentos mensais ao grupo político do senador Jaques Wagner (PT-BA) na Bahia movimentava R$ 3 milhões por mês, segundo delação do empresário Ricardo Vorcaro. A cifra, se confirmada, coloca a operação entre as maiores já relatadas no estado.

O valor supera em escala muitos dos repasses investigados na Lava Jato baiana. Mas a origem do dinheiro e o destino final das transferências ainda não foram detalhados publicamente.

O que diz a delação

Vorcaro, dono de empresas de logística e transporte, fechou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal. Em depoimento, afirmou que os repasses eram sistemáticos e duraram anos. Não houve menção a campanhas específicas — o dinheiro fluía como “mensalão” para sustentar a estrutura política.

O delator não apresentou, até o momento, comprovantes bancários ou planilhas que individualizem cada pagamento. A defesa de Wagner nega qualquer irregularidade e classifica a acusação como “ilação sem provas”.

Impacto no tabuleiro baiano

Wagner comanda o maior grupo político da Bahia há quase duas décadas. Controla a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e tem influência direta na indicação de secretários, dirigentes de estatais e no comando da assembleia legislativa.

Se a denúncia avançar, o efeito cascata atinge:

  • Aliados que dependem da máquina estadual para se eleger em 2026
  • Empresas contratadas pelo governo que podem ter vínculos com o esquema
  • A própria candidatura de Wagner à reeleição no Senado

O que acontece agora

O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a validade do acordo de delação. Vorcaro não tem foro privilegiado, mas os citados — incluindo senador — só podem ser investigados com autorização da Corte. O relator é o ministro Dias Toffoli.

Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decide se pede abertura de inquérito ou arquiva por falta de elementos. Não há prazo definido.

Por que o valor chama atenção

R$ 3 milhões por mês equivalem a R$ 36 milhões por ano. Em quatro anos, somam R$ 144 milhões — quantia compatível com orçamentos de secretarias estaduais de médio porte. A regularidade do pagamento sugere estrutura organizada, não episódios isolados.

Comparação: o “mensalão” original, julgado em 2012, tinha valores mensais entre R$ 30 mil e R$ 150 mil por parlamentar. A escala aqui é diferente.

O que observar nos próximos passos

Três pontos definem o desdobramento:

  • Se Vorcaro entrega documentos que corroboram o relato
  • Se a PGR vê indícios suficientes para inquérito no STF
  • Se surgem outros delatores do mesmo núcleo empresarial

Enquanto a Justiça não avança, a base aliada na Bahia mantém a narrativa de “denúncia vazia”. Mas o silêncio de aliados próximos a Wagner, nas últimas semanas, é notado por observadores locais. O calendário eleitoral de 2026 não espera.