Economia

Flávio Bolsonaro promete banir “tigrinho” e cassinos online se eleito; veja o plano

Flávio Bolsonaro discursa sobre proibição de cassinos online e jogo do tigrinho
Senador promete banir apostas digitais se eleito presidente, mantendo apenas apostas em futebol.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou que, se chegar à Presidência, vai proibir completamente o “jogo do tigrinho” e os cassinos online. A fala aconteceu durante agenda no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (25) e mira o que ele chama de “epidemia de endividamento” provocada pelas apostas digitais.

Mas a promessa traz uma exceção que chama atenção: o parlamentar diz manter as apostas em jogos de futebol, já regulamentadas há décadas. Qual o impacto real dessa separação para o bolso do brasileiro?

O que muda na prática para quem aposta

Segundo o candidato, a regulamentação das bets aprovada no governo Lula transformou contravenção em atividade legal, abrindo as portas para plataformas de cassino e caça-níqueis virtuais. O resultado, na visão dele: famílias endividadas tratando apostas como investimento.

Dados recentes do Banco Central mostram que brasileiros movimentaram mais de R$ 100 bilhões em apostas online apenas no primeiro semestre de 2024. O volume supera o PIB de alguns estados nordestinos.

A proposta de Flávio cria dois regimes distintos:

  • Cassinos online e “tigrinho”: proibição total, sem transição
  • Apostas esportivas (futebol): manutenção das regras atuais

Essa divisão levanta dúvidas jurídicas. Especialistas ouvidos reservadamente apontam que separar “jogo de azar” de “aposta de quota fixa” pode gerar questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) por violação da isonomia.

Segurança pública: “guerra aos narcoterroristas”

No mesmo dia, o senador participou da formatura de 497 novos soldados da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), em Sulacap. O evento serviu de palco para a principal bandeira de campanha: segurança pública.

Flávio prometeu integração total entre forças federais, estaduais e municipais a partir de janeiro de 2026. O termo “narcoterroristas” foi usado para classificar facções criminosas — uma sinalização de que o enfrentamento seria tratado como questão de segurança nacional, não apenas policial.

“Vamos recuperar cada metro, cada rua, cada bairro”, disse o candidato diante da tropa recém-formada. A retórica de “guerra” agrada a base bolsonarista, mas gera apreensão em organismos de direitos humanos quanto a possíveis excessos operacionais.

A polêmica do jato e a ligação com Vorcaro

Questionado sobre a viagem de janeiro de 2025 dos EUA ao Brasil em aeronave ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro (ex-Banco Master), Flávio foi enfático: o convite partiu do advogado Willer Tomaz, dono da cota do jato.

“Não tem absolutamente nada a ver com o Vorcaro. Eu viajei com o dono do avião, que é o Willer”, afirmou. A explicação busca blindar a campanha de acusações de proximidade com investigados — o Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 2024.

O episódio, porém, segue rendendo. Opositores apontam que Willer Tomaz atua em causas de interesse do setor financeiro e que a proximidade, mesmo que indireta, fragiliza o discurso anticorrupção.

O que observar nas próximas semanas

Três frentes merecem atenção de investidores e empresários:

  • Projeto de lei: eventual governo precisaria de base no Congresso para revogar a Lei 14.790/2023 (regulamentação das bets)
  • Reação do mercado: ações de empresas de apostas listadas na B3 podem oscilar conforme pesquisas eleitorais
  • Judicialização: associações do setor já preparam ADIs (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) caso a proibição avance

O cenário segue fluido. A promessa de banir cassinos online atende a demanda conservadora, mas esbarra em contratos firmados, arrecadação tributária (estimada em R$ 12 bi/ano) e acordos internacionais de comércio digital. Quem acompanha o setor deve monitorar não só discursos de palanque, mas a articulação parlamentar nos bastidores.