Justiça

Aliados de Flávio veem vitória no 1º turno; pesquisas discordam

Flávio Bolsonaro discursa em comício no Rio de Janeiro durante campanha eleitoral
Aliados de Flávio Bolsonaro projetam vitória no primeiro turno, contrariando pesquisas.

Uma disputa silenciosa acontece nos bastidores da campanha: enquanto institutos de pesquisa projetam segundo turno, a equipe próxima ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trabalha com cenários de definição já em 6 de outubro. A diferença não é apenas numérica — revela estratégias distintas de leitura do eleitorado fluminense.

O otimismo interno baseia-se em três pilares: capilaridade da máquina partidária, fidelidade do eleitorado bolsonarista no estado e a fragmentação da oposição. Mas há variáveis que escapam ao controle de qualquer comitê.

O que explica a confiança do comitê

Dirigentes do PL no Rio apontam para a estrutura montada nos 92 municípios. São cerca de 4,5 mil coordenadores de bairro e zona rural, número que supera a capilaridade de 2022. A lógica é simples: onde há organização física, a abstenção cai e o voto de opinião se converte em urna.

Outro fator citado é a “verticalização” do voto. Em pesquisas qualitativas encomendadas pela campanha, 78% dos eleitores que declaram voto em Flávio para o Senado dizem repetir a escolha para governador e presidente. Esse alinhamento reduz a dispersão típica de pleitos proporcionais.

O que as pesquisas captam (e o que podem perder)

Institutos como Datafolha, Quaest e Ipec mantêm projeções entre 42% e 46% de intenção de voto válido para o senador — aquém dos 50% + 1 necessários para liquidar a fatura no primeiro turno. A margem de erro, contudo, varia de 2 a 3 pontos percentuais.

Há um viés técnico reconhecido: modelos de amostragem baseados em eleições anteriores tendem a subestimar comparecimento de eleitores mobilizados por máquinas partidárias ativas. Em 2022, o próprio Flávio obteve 4,3 milhões de votos (51,5%), superando a maioria das projeções finais.

O fator abstenção e o voto oculto

  • Abstenção em 2022 no RJ: 21,3% — a menor desde 1998
  • Eleitores indecisos nas últimas rodadas: 9% a 12%
  • Brancos/nulos oscilam entre 6% e 8%

Se a abstenção cair para 18% e a maioria dos indecisos migrar para o senador — movimento observado nas duas semanas finais de 2022 —, a matemática fecha. Mas depende de variáveis exógenas: clima no dia da votação, eventuais denúncias de última hora, desempenho de Lula (PT) no estado.

O xadrez da oposição

Romário (PL), pré-candidato ao governo, e Rodrigo Neves (PDT), ao Senado, disputam o mesmo eleitorado de centro-direita. A falta de unidade — e a ausência de palanque forte da federação PT-PCdoB-PV — pulveriza alternativas. Nenhum nome de oposição passa de 18% nas sondagens atuais.

Mas o efeito “voto útil” pode surgir nos últimos dias. Se pesquisas de véspera indicarem chance real de segundo turno, eleitores anti-bolsonaristas tendem a convergir no nome melhor colocado. Esse movimento é impossível de mensurar com antecedência.

O que observar nas próximas semanas

Três indicadores dirão quem está certo: a curva de comparecimento em atos de rua (especialmente na Baixada Fluminense e interior), a evolução do índice de “votaria com certeza” nas pesquisas espontâneas e a taxa de rejeição dos principais adversários. Se a rejeição de Neves e Romário subir acima de 45%, o caminho para 50% + 1 se alarga. Caso contrário, prepare-se para 27 de outubro.