Justiça

52% dos paulistas não sabem o número do governador: o risco invisível nas urnas

Eleitor indeciso diante de urna eletrônica com números de candidatos para governador de SP
Metade dos paulistas não sabe o número do candidato a governador, revela Datafolha.

Metade do eleitorado de São Paulo chega ao dia da votação sem saber quais dígitos digitar para confirmar o voto ao governo do estado. É o que revela levantamento Datafolha: 52% não conhecem o número de urna do candidato em que pretendem votar.

O dado expõe uma falha silenciosa na comunicação política — e pode alterar o resultado nas urnas eletrônicas.

O que os números mostram

A pesquisa ouviu 1.610 eleitores entre 22 e 23 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais. Apenas 40% acertaram o número do candidato. Outros 8% citaram dígitos incorretos.

O recorte por intenção de voto revela assimetria relevante:

  • Eleitores de Fernando Haddad (PT): 60% sabem o número; 38% não sabem; 2% erraram.
  • Eleitores de Tarcísio de Freitas (Republicanos): 34% sabem o número; 55% não sabem; 11% erraram.

A diferença de 26 pontos percentuais no conhecimento do número entre os dois maiores grupos eleitorais não é detalhe.

Por que isso importa mais do que parece

Na urna eletrônica, o voto só é confirmado após a digitação do número correto. Eleitores que não o conhecem dependem de colas, fiscalização de boca de urna ou da memória de última hora — fatores que aumentam abstenção, voto nulo ou até desistência na cabine.

Em uma disputa onde Tarcísio aparece com 50% das intenções contra 30% de Haddad, a taxa de desconhecimento do número entre os eleitores do líder pode converter vantagem nas pesquisas em votos efetivos menores.

O efeito nas camadas menos engajadas

Historicamente, o desconhecimento do número concentra-se entre eleitores com menor escolaridade, menor renda e menor acompanhamento político. São justamente os perfis mais sensíveis a barreiras operacionais no dia da votação.

Cada ponto percentual de comparecimento nessa fatia pode representar dezenas de milhares de votos no maior colégio eleitoral do país.

O que observar até outubro

Campanhas costumam intensificar a divulgação do número nas três semanas finais — material impresso, WhatsApp, TV e rádio. A eficácia dessa ofensiva determinará se a lacuna de 52% se reduz ou se mantém.

Outro termômetro: a taxa de votos nulos e brancos para governador. Se subir acima do padrão histórico (em torno de 10% somados), será sinal de que o desconhecimento do número teve consequência prática.

Para quem acompanha o cenário, a métrica a monitorar não é apenas a intenção de voto — é a conversão dessa intenção em dígitos na urna.