Economia

Petróleo dispara 3% após ONU: Brent toca US$ 106 e risco no Hormuz assusta

Gráfico mostra alta de 3% do petróleo Brent a US$ 106 após tensão EUA-Irã na ONU
Petróleo Brent salta 3% para US$ 106,39 após discursos na ONU elevarem risco geopolítico no Estreito de Hormuz

O barril Brent saltou 3,21% nesta quinta-feira, atingindo US$ 106,39 — o maior nível em uma semana — após a troca de ameaças diretas entre EUA e Irã na Assembleia Geral da ONU. O mercado interpretou os discursos como um afastamento definitivo de qualquer acordo de paz no curto prazo.

Por volta das 7h20 (horário de Brasília), a referência global era negociada a US$ 105,43, ainda 2,28% acima do fechamento anterior. O WTI, benchmark americano, acompanhou o movimento e subiu 1,79%, cotado a US$ 93,81.

O estopim: discursos que fecharam a porta para a diplomacia

A escalada começou na segunda-feira (22), quando Donald Trump ameaçou “aniquilar” o Irã em sua fala na tribuna. Na terça, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian respondeu exibindo fotos de crianças mortas em ataques atribuídos a EUA e Israel, acusando as duas nações de terrorismo e afirmando que Teerã não abrirá mão do programa nuclear.

A delegação americana abandonou a plenária durante a fala iraniana. Para Henry Allen, estrategista do Deutsche Bank, o episódio confirmou o que o mercado temia: “Os dois lados ainda estão muito distantes. Os investidores passaram a precificar um período prolongado de preços mais altos”.

Frentes de combate se multiplicam e ameaçam rotas vitais

O risco não se limita ao Golfo Pérsico. O conflito já vazou para o Mar Vermelho, onde os houthis — grupo iemenita apoiado por Teerã — controlam o estreito de Bab el-Mandeb, entrada para o Canal de Suez. Nesta quinta, um conselheiro próximo ao líder supremo Ali Khamenei elevou a aposta.

Yahya Rahim Safavi alertou que, em caso de novos ataques americanos, o Irã estenderá a frente de batalha até o Oceano Índico. A declaração coloca na mira a base anglo-americana de Diego Garcia, localizada a quase 4.000 km da costa iraniana.

  • Estreito de Hormuz: por onde fluía 20% do petróleo e gás mundial antes da guerra.
  • Bab el-Mandeb: controlado pelos houthis, liga Ásia à Europa via Suez.
  • Oceano Índico: nova ameaça explícita, mirando ativos estratégicos distantes.

Acordo parado há dois meses e exigências iranianas

As negociações de paz estão estagnadas há mais de 60 dias. O Irã mantém sete condições para retomar o diálogo, entre elas a suspensão total das sanções econômicas e a liberação de ativos congelados no exterior. Enquanto isso, a incerteza sobre a oferta global mantém o prêmio de risco embutido na cotação.

O que observar daqui para frente

O próximo gatilho de volatilidade deve vir de qualquer movimento militar no Estreito de Hormuz ou de uma resposta americana à ameaça sobre o Oceano Índico. Investidores devem monitorar também a posição da Arábia Saudita e a capacidade da OPEP+ de compensar eventuais interrupções de oferta. Se a retórica se transformar em bloqueio efetivo, a barreira dos US$ 110 pode ser testada rapidamente.