O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) cravou 44% das intenções de voto para o Palácio dos Bandeirantes em 2026, abrindo 17 pontos de vantagem sobre Fernando Haddad (PT), que travou nos 27%. A nova rodada da Quaest, divulgada nesta quarta-feira (23), expõe um cenário de estagnação para a oposição. Mas o número que ninguém está olhando com atenção está nos indecisos.
A estagnação do adversário e a margem de erro
Em comparação ao levantamento de 8 de setembro, Tarcísio oscilou dois pontos para cima — dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Haddad, por sua vez, não saiu do lugar. A estabilidade do petista, mesmo com a exposição natural de uma pré-campanha, acende um alerta vermelho para a estratégia da oposição em São Paulo.
Os dados brutos mostram um eleitorado que, por enquanto, não vê alternativa competitiva:
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 44%
- Fernando Haddad (PT): 27%
- Outros candidatos (quatro nomes): 1% cada
- Brancos, nulos e “não vou votar”: 14%
- Indecisos: 11%
O que os 25% de indecisos e brancos escondem
A soma de eleitores sem definição (11%) mais os que anulam ou votam em branco (14%) atinge 25% do eleitorado. Na rodada anterior, esse bloco era de 27%. A leve migração para uma definição — mesmo que para o atual governador — sugere que a “terceira via” não decolou e o voto útil antecipado beneficia o incumbente.
Outro detalhe técnico: a candidata Policial Edjane (Agir) aparece com 1% apesar de ter o registro indeferido pelo TRE-SP em 18 de setembro. A Quaest a incluiu porque ela estava apta no momento do registro da pesquisa, o que infla marginalmente o baixo clero.
Cenário para 2026: estabilidade ou virada?
A pesquisa ouviu 1.800 eleitores entre 19 e 22 de setembro, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE é SP-02456/2026. Para o mercado e para gestores públicos, a leitura imediata é de previsibilidade: a continuidade da atual gestão aparece como o cenário base mais provável hoje.
Porém, a eleição está a mais de um ano de distância. A distância de 17 pontos é confortável, mas não intransponível em um estado com o colégio eleitoral mais complexo do país. A variável oculta continua sendo a economia nacional e a popularidade do governo federal, que historicamente contamina a disputa paulista.
O que observar daqui pra frente
Três indicadores ditam o ritmo dos próximos levantamentos: a taxa de rejeição dos dois líderes (dado não divulgado neste corte, mas decisivo no segundo turno), a capacidade de Haddad furar a bolha da capital e do interior, e o comportamento do eleitor de centro-direita que hoje vota em branco por falta de opção. Se a economia der sinais de fadiga, esse bloco de 25% vira o campo de batalha real.
