A Ecovias Rio Minas confirma: a ampliação da BR-116 no trecho metropolitano estará pronta até setembro de 2027. As máquinas já avançaram 70% do cronograma, mas o que está por vir vai muito além de asfalto novo.
O investimento de R$ 997 milhões redesenha a mobilidade entre Seropédica e a capital fluminense. Para quem vive o vai e vem diário da Baixada, a promessa é de alívio real — não apenas para caminhoneiros.
O que está sendo construído nos bastidores
Os números impressionam pela escala. Não se trata de uma simples duplicação, mas de uma cirurgia viária completa:
- 35,24 km de vias marginais inéditas
- 89,78 km de faixas adicionais
- 20 passarelas para travessia segura de pedestres
- 80 pontos de ônibus padronizados
- 92 acessos remodelados
- 4 alças de conexão estratégicas
Some-se a isso um novo trevo em Queimados, a reconfiguração do Trevo das Margaridas, contenções de encosta, drenagem profunda e barreiras de segurança nas marginais. Cada item atende a um gargalo histórico.
Por que o impacto vai além da pista principal
O presidente Lula visitou o canteiro nesta quinta-feira (24) e foi direto ao ponto: “Não adianta desafogar a Dutra e entupir as ruas da cidade”. A frase resume a filosofia do projeto. As vias marginais absorvem o tráfego local — trabalhadores, estudantes, entregas — liberando a pista expressa para o trânsito de longa distância.
Hoje, a BR-116 funciona como artéria única para dois tipos de demanda incompatíveis. A separação física resolve o conflito na raiz.
O efeito cascata na economia regional
A Dutra é a espinha dorsal logística entre as duas maiores metrópoles do país. Qualquer ganho de fluidez aqui reverbera em custos de frete, pontualidade de entregas e competitividade industrial no eixo Rio-São Paulo.
Estudos de concessionárias anteriores mostram que cada 10% de redução no tempo de viagem equivale a economia de milhões em custos operacionais anuais para transportadoras. Com marginais e faixas adicionais, a previsão é de ganhos superiores a 20% nos horários de pico.
Mas o efeito mais relevante aparece na microeconomia local. Comércio às margens, imóveis residenciais e polos industriais de Queimados, Nova Iguaçu e Seropédica tendem a se valorizar com a acessibilidade ampliada.
O que observar daqui para frente
O cronograma prevê entrega total em setembro de 2027. Até lá, três marcos merecem atenção: a liberação das primeiras vias marginais (prevista para o primeiro semestre), a conclusão do trevo de Queimados e a ativação do sistema de barreiras e drenagem — essencial para evitar interdições por chuvas de verão.
Para empresários da região, o momento é de planejar rotas alternativas durante as fases finais de obra e mapear oportunidades imobiliárias no entorno dos novos acessos. Para o usuário comum, a contagem regressiva já começou: menos de 12 meses para uma Dutra que, enfim, serve a todos.
