Economia

O que a agenda de hoje dos presidenciáveis revela sobre 2027…

Candidatos à presidência em eventos de campanha: encontros com empresários, visitas industriais e carreatas no interior
Agendas de hoje dos presidenciáveis revelam prioridades setoriais e regionais para 2027.

Os principais candidatos à Presidência cumprem nesta quinta-feira (24) agendas que expõem, na prática, quais setores e regiões cada campanha prioriza a menos de dois anos da posse. O roteiro do dia vai muito além de atos simbólicos: aponta onde o capital político — e, potencialmente, o orçamento federal — deve ser direcionado a partir de 2027.

Enquanto alguns focam em encontros com empresários e visitas a polos industriais, outros apostam em carreatas no interior e debates setoriais. A diferença de abordagem não é aleatória; ela desenha cenários distintos para quem acompanha o ambiente de negócios.

O eixo do agronegócio e da indústria paulista

Romeu Zema (Novo) concentra a manhã no interior de São Paulo. Às 10h30, concede entrevista à Jovem Pan Campinas; às 11h45, caminha pelo centro comercial de Holambra — polo de flores e tecnologia agrícol; às 13h50, almoça com apoiadores na Casa Bela Café; e às 14h50, reúne-se com empresários na Inbra, em Jaguariúna, antes de visitar o Centro de Referência de Autismo local.

O roteiro sinaliza duas frentes: defesa de pautas liberais para o agronegócio de alta tecnologia e aceno ao setor de saúde suplementar. Jaguariúna e Holambra formam um corredor logístico que movimenta bilhões em exportações anuais. A presença ali não é decorativa.

Centro-Oeste e Norte: onde a infraestrutura decide votos

Augusto Cury (Avante) percorre três capitais em um único dia: Cuiabá (MT), Porto Velho (RO) e Manaus (AM). Em Mato Grosso, visita a Casa Cury e o Shopping Popular; em Rondônia, faz carreata e coletiva; à noite, vai à sede do Avante no Amazonas.

O triangulo Cuiabá–Porto Velho–Manaus concentra os maiores gargalos logísticos do país — BR-163, hidrovia do Madeira, Zona Franca. Quem domina a agenda nessa região costuma ditar o ritmo de editais de concessão e renegociações de incentivos fiscais.

O peso do eleitorado evangélico e conservador em Minas

Flávio Bolsonaro (PL) participa de dois “bloquinhos” do deputado Nikolas Ferreira: às 17h em Teófilo Otoni e às 19h30 em Governador Valadares, ambos no Vale do Mucuri. A região concentra colégios eleitorais com forte viés conservador e alta dependência de transferências federais.

Ronaldo Caiado (PSD) alterna entre Goiânia — caminhada na Av. Mangalô às 10h45 — e Senador Canedo, onde lidera carreata às 17h. Goiás responde por 8% do PIB agropecuário nacional; Senador Canedo abriga a maior refinaria de petróleo do Centro-Oeste.

O que não aparece na agenda (e por que importa)

  • Wilson Grassi (Democrata) e Samara Martins (UP) não divulgaram compromissos públicos — indicando campanhas de baixo orçamento ou foco em estratégia digital.
  • Lula (PT) realiza ato único em Maceió (AL), no Nordeste, região onde o PT mantém vantagem histórica, mas onde a taxa de investimento privado per capita ainda é a menor do país.
  • Candidatos de esquerda radical (PCO, PCB, PSTU) apostam em debates programáticos e panfletagens em universidades e fábricas — sem agenda com setor produtivo formal.

Três indicadores para monitorar nas próximas semanas

Primeiro: a frequência de reuniões fechadas com federações de indústria e comércio. Zema e Caiado já lideram esse quesito.

Segundo: a presença em estados-pêndulo como Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Flávio Bolsonaro e Caiado já se movimentam ali; Lula, por ora, não.

Terceiro: a pauta de infraestrutura em discursos e entrevistas. Menções a “PPI”, “BR do Mar”, “Nova Indústria Brasil” ou “reforma tributária setorial” costumam antecipar prioridades de governo.

A agenda de campanha é o primeiro orçamento público que o eleitor vê. Quem lê nas entrelinhas ganha tempo — e, no mundo dos negócios, tempo é a variável que separa quem antecipa tendências de quem apenas reage a elas.