Economia

McDonald’s aposta no frango para virar o jogo: meta agressiva até 2030 e IA no drive-thru

Logotipo do McDonald's com produtos de frango e gráfico de ações em queda
McDonald's mira 1,5 pp de market share no frango até 2030 após ações caírem 20%

O McDonald’s acaba de traçar uma meta ousada: ganhar 1,5 ponto percentual de participação no mercado global de fast-food de frango até 2030, saindo dos atuais 10%. A jogada expõe a urgência da rede em reagir à queda de quase 20% no valor de suas ações nos últimos meses.

O anúncio ocorreu durante o primeiro encontro com investidores em quase três anos, realizado em Chicago. As ações caíram 5,3% no pregão do mesmo dia, sinalizando ceticismo do mercado.

Por que o frango virou a peça central da estratégia

A matemática é simples e implacável. O mercado global de frango em fast-food movimenta US$ 130 bilhões por ano e cresce 5% ao ano nos dez maiores países. O de carne bovina, por outro lado, soma US$ 50 bilhões e avança apenas 3% no mesmo período.

Desde 2021, o preço da carne moída nos Estados Unidos subiu mais de 50%. O consumidor, cada vez mais atento à saúde e ao bolso, migrou para a proteína magra. O McDonald’s já domina cerca de 40% do mercado de hambúrgueres de carne — mas no frango, a fatia é pequena.

O desafio de enfrentar gigantes especializados

Para crescer no segmento, a rede terá de disputar cliente a cliente com marcas nascidas no frango, como Chick-fil-A e Raising Cane’s. A resposta inclui testar empanamento feito à mão — já presente em 10 mil unidades na Ásia — nos Estados Unidos e na Irlanda.

Analistas alertam: preparar frango empanado na loja exige mais mão de obra, equipamentos específicos e rigor sanitário redobrado. O risco operacional é real.

  • Chicken McNuggets: US$ 15 bilhões em vendas anuais
  • Meta de bebidas: +1,5 p.p. de market share (dirty sodas e refrescos coloridos)
  • Apoio a franqueados: US$ 8,5 bilhões na próxima década

O fator GLP-1 e a mudança no apetite americano

Cerca de 84% dos lares dos EUA com alguém usando medicamentos para perda de peso da classe GLP-1 frequentam o McDonald’s. A nova presidente da operação americana, Skye Anderson, vê oportunidade: usuários desses remédios buscam mais proteína.

O cardápio de carnes e peixes ganha, assim, um vetor de demanda inesperado.

Tecnologia e reforma: o plano para voltar a crescer

Além do cardápio, a estratégica prevê reforma de lojas, marketing integrado a criadores de conteúdo e uma plataforma de inteligência artificial generativa. O destaque vai para um assistente de voz capaz de receber pedidos em inglês e espanhol no drive-thru em tempo real.

Chris Kempczinski, CEO global, resumiu o cenário: “O mecanismo de crescimento do setor está mudando. O tráfego ficará estável enquanto a inflação permanecer alta. Para vencer, precisamos roubar participação.”

O que observar nos próximos trimestres

A execução será o termômetro. Franqueados já relatam movimento fraco, custos em alta e margens pressionadas. Se o frango empanado na loja escalar sem gargalos operacionais e a IA no drive-thru reduzir filas e erros, a meta de 2030 deixa de ser ambição e vira projeção realista. O mercado seguirá atento aos números de tráfego nos EUA — ainda o maior e mais sensível mercado da rede.