A Caixa Econômica Federal protocolou dissídio coletivo no TST nesta quarta-feira (23) para tentar encerrar a paralisação que já dura duas semanas. A decisão corta o diálogo direto com os sindicatos e joga a definição do reajuste e do plano de saúde nas mãos dos ministros da Corte.
O banco rejeitou a última contraproposta dos trabalhadores em assembleia na segunda (21) e alega esgotamento nas negociações. Para o correntista, a dúvida imediata é: quanto tempo mais as agências ficam fechadas?
O nó que travou tudo: o plano de saúde
O Saúde Caixa é o ponto central do impasse. A instituição apresentou três propostas sucessivas — todas recusadas. A última elevava o teto de participação da folha de 6,5% para 9% a partir de 2027, mantendo o pacto intergeracional e o convênio no acordo coletivo.
Na prática, a contribuição do titular passaria a 3,7% da remuneração-base. Dependentes diretos pagariam R$ 560 mensais; filhos de 21 a 24 anos, R$ 660; filhos de 24 a 27 anos e pais/mães, R$ 900. O teto familiar ficaria em 9%.
O reajuste de 60% na coparticipação de pronto-atendimento — de R$ 75 para R$ 120 — foi o gatilho da rejeição. Telemedicina seguiria isenta.
Contas que não fecham para o trabalhador
Pelas regras atuais, o empregado contribui com 3,5% da remuneração-base mais R$ 75 por consulta de pronto-atendimento. Dependentes diretos custam R$ 480 cada, com teto familiar de 7%.
Os cálculos das entidades representativas mostram que, mesmo com o reajuste salarial de 4,6% (0,6% acima da inflação), o aumento no custeio do plano zeraria o ganho real. Na ponta do lápis, o salário líquido não cresceria.
- Reajuste salarial oferecido: 4,6% (acima da inflação)
- Alta na coparticipação de pronto-atendimento: 60% (R$ 75 → R$ 120)
- Teto familiar atual: 7% da remuneração-base
- Teto proposto para 2027: 9% da remuneração-base
- Déficit do plano em 2026: assumido integralmente pela Caixa
O que o dissídio muda no tabuleiro
Ao judicializar, a Caixa busca segurança jurídica e previsibilidade. O TST pode determinar o fim da greve, fixar percentuais de reajuste e redesenhar o custeio do Saúde Caixa — tudo com força de lei.
Historicamente, a Corte costuma conceder reajustes próximos à inflação mais ganho real modesto, além de estabelecer parâmetros de coparticipação. Mas não há prazo definido para o julgamento.
Enquanto isso, a paralisação continua. Agências fechadas na maior parte do país, com cartazes dos sindicatos nas portas e terceirizados orientando o público.
Canais que seguem funcionando normalmente
O banco garante que toda a infraestrutura digital opera sem interrupção. A lista de alternativas é extensa:
- Aplicativo Caixa e Caixa Tem
- Internet Banking e WhatsApp (0800-1040104)
- Caixas eletrônicos e rede Banco24Horas
- Lotéricas e correspondentes Caixa Aqui
- Apps específicos: Cartões, Habitação, FGTS, DPVAT
- Alô Caixa: 4004-0104 (capitais) e 0800-1040104 (demais)
O que observar nas próximas semanas
O MPT mediou a última rodada sem sucesso. Agora, o relator no TST definirá rito e prazos. Dois movimentos valem monitorar: se os sindicatos recorrem ao STF questionando a competência do dissídio, e se a Caixa apresenta nova proposta extrajudicial para evitar a imprevisibilidade da sentença.
Para quem tem financiamento habitacional, consórcio ou dependência de atendimento presencial, a recomendação prática é antecipar demandas pelos canais digitais. O histórico de dissídios na categoria sugere resolução em 30 a 60 dias, mas cada caso tem dinâmica própria.
O reajuste de 4,6% já pago aos bancários dos bancos privados serve de referência — mas o Saúde Caixa é variável que não existe no setor privado. O desfecho desse item ditará o impacto real no contracheque de 80 mil empregados.
