Uma empreendedora transformou um petisco tradicional em um fenômeno local ao lançar versões gigantes de 18 centímetros recheadas com cremes salgados. O resultado? Filas no bairro Parque Ideal e faturamento que surpreende até a própria idealizadora.
Tudo começou com um vídeo no TikTok e uma necessidade de reinvenção profissional. O que era para ser um complemento de renda virou o carro-chefe de um negócio familiar que opera apenas três dias por semana.
Da cozinha de bolos para a febre do momento
Alexsandra Reis passou três décadas produzindo bolos de festa. Um problema de saúde a forçou a pausar a atividade e, há cerca de um ano, ela recomeçou vendendo fatias de bolo na casa de uma tia. Foi navegando nas redes sociais que encontrou o formato que mudaria seu rumo: o “canudão”, versão ampliada do clássico rabo de tatu.
A adaptação foi imediata. A massa crocante em formato de canudo ganhou recheios generosos e tamanho avantajado — 18 centímetros de comprimento, bem acima do padrão de mercado.
Logística familiar e números que impressionam
A operação funciona como uma engrenagem caseira bem ajustada. A produção inicia às 5h da manhã na residência da empreendedora. Por volta das 16h, uma equipe composta por filha, sobrinha, primo e cunhada transporta os itens para o ponto de venda, montado na casa da tia.
O cardápio é enxuto, mas estratégico:
- Creme de galinha — R$ 22
- Creme de carne de sol — R$ 25
Acompanhamentos são montados na hora: frango, carne, bacon, queijo, batata palha e milho, conforme a preferência do cliente.
O dia que move o caixa
Quintas e sextas têm movimento constante, mas o sábado dita o ritmo. Em dias de pico, a equipe já contabilizou 70 unidades vendidas em uma única jornada. Considerando o ticket médio, a receita bruta de um único sábado pode superar R$ 1.500 — sem contar tortas salgadas, pudins e doces que complementam a oferta.
Mas o efeito mais relevante aparece na fidelização. Clientes voltam para testar combinações diferentes de acompanhamento, transformando o canudão em experiência personalizada.
O que observar daqui para frente
O modelo atual tem teto claro: capacidade de produção artesanal e operação restrita a três dias. A demanda demonstrada sugere espaço para expansão — seja ampliando dias de funcionamento, estruturando entrega ou padronizando receitas para escala.
Para quem acompanha o mercado de alimentação de rua, o caso ilustra como um produto de baixo custo unitário, bem posicionado visualmente nas redes sociais e executado com qualidade artesanal, pode gerar fluxo de caixa consistente mesmo em formato reduzido. O próximo passo da empreendedora dirá se o canudão permanece como fenômeno de bairro ou evolui para marca com alcance metropolitano.
