Economia

R$ 300 milhões e um plano de R$ 1,5 bi: o que a Rocha prepara para 2035…

Terminal Cais Oeste da Rocha Terminais em Paranaguá com estrutura de carregamento de grãos e navios atracados
Novo Terminal Cais Oeste eleva capacidade de grãos em Paranaguá para 2 milhões de toneladas/ano

A Rocha Terminais inaugurou em julho o Terminal Cais Oeste, um ativo de R$ 300 milhões que eleva a capacidade de grãos em Paranaguá para mais de 2 milhões de toneladas ao ano. A jogada faz parte de uma emissão inédita de debêntures de R$ 400 milhões e sinaliza uma expansão agressiva rumo ao Arco Norte. Mas o número que realmente muda o jogo está no planejamento para a próxima década.

O novo motor de Paranaguá: Cais Oeste em números

O terminal possui 5,8 mil m² de área construída e armazenagem estática para 100 mil toneladas de soja e milho. A operação conta com dois tombadores para caminhões de até 30 metros, capazes de descarregar mais de 280 veículos por dia.

Toda a movimentação ocorre por esteiras enclausuradas, eliminando emissão de particulados. A estrutura é alfandegada, com pesagem e triagem integradas direto aos sistemas da Receita Federal, conectada ao berço 201.

Flexibilidade que vale dinheiro: menos espera, menos sobreestadia

Com o Cais Oeste somado ao corredor Leste já existente, o exportador ganha poder de escolha. A empresa direciona a carga conforme a disponibilidade dos berços, reduzindo o tempo de espera dos navios e, consequentemente, o risco de custos com sobreestadia.

Para o cliente, a previsibilidade operacional deixa de ser promessa e vira métrica contratual.

O ciclo de R$ 700 milhões que poucos mapearam

O Cais Oeste é apenas a peça mais visível de um ciclo bienal pesado. Veja onde o capital foi alocado:

  • Armazém de fertilizantes 100% automatizado: 70 mil toneladas de capacidade estática e throughput superior a 700 mil t/ano, ligado por esteiras a três berços — zerando o transporte rodoviário interno.
  • Guindastes portuários MHC: R$ 30 milhões em equipamentos de cais.

O resultado aparece no balanço de 2025: faturamento de R$ 872,4 milhões (alta de 15%), com mais de 5 milhões de toneladas de grãos exportadas (20% do mercado do porto) e 4 milhões de toneladas de fertilizantes (mais da metade do segmento em Paranaguá).

Fertilizantes em retração, grãos em alta: a matemática da diversificação

O cenário para 2026 aponta importação nacional de 40 milhões de toneladas de fertilizantes, abaixo da média histórica de 45 milhões. Mesmo assim, a Rocha projeta movimentar entre 8 e 10 milhões de toneladas — cerca de 25% de tudo que entra no Brasil.

A exposição simultânea a grãos e cargas industrializadas funciona como hedge natural. Enquanto um ciclo arrefece, o outro sustenta a ocupação dos ativos e o fluxo de caixa.

A aposta de R$ 1,5 bilhão no Arco Norte

O plano estratégico até 2035 prevê investimentos superiores a R$ 1,5 bilhão. A expansão geográfica já começou: operação no Porto de Santana (AP), início em Miritituba (PA) e chegada prevista a Santos em três a quatro anos.

A solidez financeira foi atestada pela S&P Global Ratings com rating corporativo AA+ na estruturação das debêntures, coordenada pela XP Investimentos. A alavancagem mantida abaixo de duas vezes o EBITDA dá lastro à execução.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definem se o plano entrega o prometido: a velocidade de maturação dos terminais no Arco Norte, a entrada efetiva em Santos — porto com dinâmica regulatória distinta — e a capacidade de manter a alavancagem baixa enquanto deploya R$ 1,5 bilhão. O mercado já precificou a governança; agora cobra a execução.