Justiça

Empate técnico em Minas abre cenário de indefinição na corrida presidencial

Lula e Flávio Bolsonaro em destaque com gráfico de empate 40% a 40% em Minas Gerais
Pesquisa Quaest mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em Minas Gerais

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (23) coloca Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados com 40% cada em simulação de segundo turno em Minas Gerais. O estado, historicamente termômetro do eleitorado nacional, sinaliza uma disputa aberta semanas antes da votação. A movimentação quebra a vantagem numérica que o senador ostentava no início do mês.

O xadrez mineiro e a concentração do voto

No levantamento anterior, Flávio liderava por 40% a 37%. Agora, o presidente recupera três pontos percentuais e iguala o placar. No primeiro turno, ambos avançam: Lula sobe de 31% para 35%, enquanto Flávio vai de 27% para 30%. A soma das duas candidaturas salta de 58% para 65%, indicando forte polarização.

Candidatos secundários perdem espaço simultaneamente. Augusto Cury (Avante) cai de 8% para 5%; Romeu Zema (Novo) despenca de 6% para 2%. Os indecisos recuam de 15% para 13%. A margem de erro no estado é de três pontos percentuais.

São Paulo segue a tendência, mas com ressalvas

No maior colégio eleitoral do país, a distância no segundo turno encolhe de oito para seis pontos. Lula oscila de 33% para 36%; Flávio varia de 41% para 42%. A aprovação do governo federal melhora de 37% para 40%, embora a desaprovação ainda domine com 55%.

No primeiro turno paulista, porém, o cenário estagna. Flávio avança para 34% e Lula mal se move, ficando em 31%. A margem de erro em São Paulo é de dois pontos.

O Rio de Janeiro caminha na direção oposta

Enquanto Sudeste mostra sinais de recuperação petista, o Rio amplia a vantagem do PL. No segundo turno, Flávio vai a 44% contra 36% de Lula — diferença de oito pontos, ante seis na rodada anterior. A avaliação negativa do governo sobe para 56%, a maior entre os três estados analisados.

  • Minas Gerais: Empate 40% a 40% no 2º turno (margem 3 pp).
  • São Paulo: Flávio 42% x Lula 36% no 2º turno (margem 2 pp).
  • Rio de Janeiro: Flávio 44% x Lula 36% no 2º turno (margem 3 pp).

O eleitor decidiu: convicção substitui hesitação

Um dado transversal aos três estados chama atenção para a reta final: a solidez do voto. Em Minas, 81% dos que escolheram candidato dizem que a decisão é definitiva (era 71%). Em São Paulo, o índice salta de 74% para 80%; no Rio, de 77% para 82%.

Isso significa que a janela para persuasão fecha. A batalha migra para a mobilização: quem consegue levar o eleitor convicto às urnas. Paralelamente, o “voto útil” dos 13% a 15% que ainda apoiam Cury, Caiado, Renan ou Zema pode ser decisivo — mas não há transferência automática.

O que observar nas próximas semanas

O debate na TV Globo, agendado para a próxima semana em horário nobre, surge como o principal evento capaz de mover as peças restantes. Com escolhas consolidadas, o confronto tende a reforçar convicções e ativar bases, mais do que converter indecisos. Para investidores e analistas de risco político, o recado de Minas é claro: a eleição segue aberta e a volatilidade deve persistir até a apuração.