Economia

Busca por ‘squishy’ explode 450% no Brasil: o brinquedo que virou febre e negócio

Variedade de squishies coloridos em formato de alimentos e animais sobre superfície branca
A febre dos squishies impulsiona buscas e vendas no Brasil com alta de 450% em 90 dias

As buscas por squishy no Google atingiram o maior patamar histórico no Brasil, com alta de 450% em apenas 90 dias. O pico ocorreu em setembro, mas a onda ainda não deu sinais de arrefecer — e empreendedores atentos já transformaram a curiosidade em faturamento.

O brinquedo de espuma macia, que retorna lentamente à forma original após ser apertado, saiu dos vídeos de ASMR no TikTok para as prateleiras de lojas físicas e marketplaces. A pergunta que fica: é moda passageira ou veio para ficar?

O que os números revelam sobre o comportamento do consumidor

Dados do Google Trends mostram que o termo “squishy” superou buscas por brinquedos consagrados como slime e fidget spinner no mesmo período. O interesse não se limita ao produto pronto: a consulta “como fazer squishy” cresceu na mesma proporção, indicando forte apelo maker e potencial para kits de montagem.

Principais destaques do período:

  • 450% de aumento nas buscas gerais (jan–set/2024)
  • Recorde histórico de interesse em setembro
  • Buscas por tutoriais caseiros acompanharam a curva principal
  • Estados do Sudeste e Sul concentram 68% do volume

Por que o TikTok ditou essa tendência

Vídeos curtos mostrando a textura, o som ao apertar e a “slow rising” (volta lenta) criaram uma experiência sensorial viciante. Criadores de conteúdo transformaram o ato de espremer o brinquedo em content relaxante — categoria que acumula bilhões de visualizações globalmente.

O algoritmo amplificou perfis que testam diferentes marcas, comparam densidades e mostram coleções. Isso gerou dois efeitos colaterais: educou o consumidor sobre variações de qualidade e criou desejo por modelos específicos, não apenas “qualquer squishy”.

Oportunidade real para pequenos negócios

Lojistas de bairro, artesãos e sellers de marketplace relatam giro de estoque superior a 300% nos últimos 60 dias. A margem atrativa — custo unitário baixo, percepção de valor alta — permite markups de 200% a 400% no varejo.

Três frentes vêm se mostrando mais rentáveis:

  • Kits DIY: espuma, tinta, moldes e instruções — ticket médio R$ 45–70
  • Coleções temáticas: alimentos, animais, personagens — fideliza colecionadores
  • Pacotes “alívio de ansiedade”: combo com fidgets diversos — posicionamento wellness

Mas o efeito mais relevante aparece na cadeia de suprimentos.

Fornecedores nacionais ganham espaço contra importados

Com o dólar instável e frete internacional imprevisível, fabricantes brasileiros de espuma de poliuretano passaram a receber pedidos de pequenas marcas que antes compravam da China. O lead time caiu de 45–60 dias para 7–10 dias, e a personalização (cores, formatos, logotipo) virou diferencial competitivo.

Essa migração reduz risco de estoque parado: o lojista testa 50 unidades, mede a saída, e repõe só o que vende. Modelo que se aproxima do fast fashion aplicado a brinquedos de impulso.

O que observar daqui para frente

Três indicadores vão ditar se a curva se sustenta ou desaba: (1) permanência do termo nas buscas orgânicas após o pico sazonal de Natal; (2) entrada de grandes varejistas com marca própria, pressionando margens; (3) evolução da categoria “squishy sensorial” para produtos com função terapêutica comprovada — o que abriria portas em farmácias e clínicas.

Para quem já atua no varejo de presentes, papelarias ou artigos de festa, o momento pede teste controlado: compre sortimento variado, acompanhe sell-out semanal por SKU e use o feedback do cliente para definir o mix de 2025. A espuma é macia, mas o mercado exige decisão firme.