Economia

O contra-ataque de R$ 5,5 mi que pode mudar o leilão de 2027…

Assinatura de contrato no Palácio Piratini para estudo ferroviário da Malha Sul no RS
Governador assina contrato de R$ 5,49 mi para estudo que desafia divisão federal da Malha Sul.

O Rio Grande do Sul acaba de colocar R$ 5,49 milhões na mesa para desafiar o plano federal de dividir a Malha Sul em três pedaços. O contrato assinado nesta segunda (21) no Palácio Piratini não é apenas burocracia: é a base técnica que o Estado usará para brigar por uma ferrovia que faça sentido econômico para o produtor gaúcho.

O diagnóstico preliminar sai ainda este ano. O estudo completo, porém, tem prazo de 10 meses para ficar pronto — bem a tempo de influenciar as regras do leilão marcado para 2027.

Por que o fatiamento assusta o setor produtivo

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) propõe três lotes separados. O temor de empresários e do governo estadual é que o modelo espante investidores para o trecho mais lucrativo — o Paraná — deixando o Rio Grande do Sul com a conta da manutenção e sem volume de carga.

O secretário de Transportes, Clóvis Magalhães, resume o problema: a proposta federal ignora conexões vitais. A região de Passo Fundo, motor agrícola do Norte do Estado, ficaria isolada da malha principal.

Os três corredores na mira da disputa

Entenda como a União quer cortar o mapa e onde está o nó da discórdia:

  • Corredor Paraná–Santa Catarina (1.502 km): O trecho “nobre”, com maior atratividade privada.
  • Corredor Mercosul (1.865 km): Liga SP à Argentina, cruzando PR, SC e parte do RS.
  • Corredor Rio Grande (880 km): Conecta o noroeste gaúcho ao porto de Rio Grande — justamente onde está Passo Fundo.

A crítica central: o lote do Porto do Rio Grande carrega o custo de dragagem e manutenção de via, mas perde a carga de soja e milho que ficaria no lote do Mercosul. A equação fecha no vermelho.

O tamanho do buraco logístico atual

Dados históricos mostram o tamanho do prejuízo acumulado. Desde a privatização de 1997, a malha ativa no Estado encolheu 75%. Saiu de 3,8 mil quilômetros para os atuais 921 km.

Hoje, só existe um trecho operando regularmente: 464 km entre Cruz Alta e o porto de Rio Grande. O resto virou trilho parado ou sucata.

O consórcio por trás do estudo

A missão técnica coube a um time pesado: a consultoria Alvarez & Marsal lidera, com apoio da Eagle Consultoria e do escritório Machado Meyer. A combinação une engenharia, modelagem econômica e segurança jurídica — exatamente o tripé necessário para contestar um edital federal.

Ponte para 2027: o que está em jogo

A concessão atual, da Rumo, vence em fevereiro, mas será esticada por até dois anos. Isso dá ao Estado uma janela estreita: o estudo precisa estar pronto e validado antes que as regras do leilão sejam travadas definitivamente.

O diretor do BRDE, Leonardo Busatto, foi direto: há tempo hábil para adaptar o modelo. Mas a janela fecha rápido.

Dois fundos novos no radar

Na mesma coletiva, o governo anunciou a criação de dois fundos voltados ao desenvolvimento econômico estadual. Detalhes de governança e aporte ainda serão divulgados, mas o sinal é claro: o Estado quer capital próprio para alavancar projetos que a União não prioriza.

O que observar daqui para frente

O primeiro marco é o diagnóstico de fim de ano. Se ele confirmar a inviabilidade do lote Rio Grande isolado, a pressão política sobre a ANTT sobe de patamar. Acompanhe também a tramitação da prorrogação da Rumo: qualquer ruído jurídico pode atrasar o cronograma do leilão de 2027 e mudar a correlação de forças. Para o investidor, o recado é um só: a logística do Sul ainda não tem dono definido — e o tabuleiro está aberto.