Tecnologia

O segredo da China que fez empresário esquecer o Vale do Silício…

Turistas descendo de tobogã na Muralha da China, simbolizando inovação em experiência do usuário
O tobogã na Muralha da China exemplifica como o país lidera design de experiência imersiva

Rodrigo Martins, sócio-fundador da Agência Nuts, foi à China em busca de inteligência artificial e robótica, mas voltou com uma certeza: o país asiático ultrapassou os Estados Unidos no design de experiência. O que ele viu em duas viagens recentes redesenhou a forma como enxerga inovação no varejo e no entretenimento.

O tobogã que mudou a rota da inovação

O ponto de virada aconteceu na Muralha da China. Em vez de apenas contemplar a história, turistas descem de tobogã por 10 minutos. Para Martins, aquele brinquedo simples gritava mais alto que qualquer laboratório de IA: a prioridade chinesa é a imersão sensorial. “Vim atrás de tecnologia, mas encontrei um país pensando em experiência”, resume o empresário.

Essa constatação derrubou a referência histórica que ele carregava. Durante décadas, Hollywood e a Disney ditavam as regras do engajamento. Após ver a execução chinesa, Martins afirma que o modelo ocidental ficou para trás.

Espetáculos que hackeiam os cinco sentidos

O choque de realidade veio à noite. Em diferentes cidades, produções gigantescas transformam lagos em palcos para 300 atores, com estruturas que emergem da água sincronizadas à narrativa. O detalhe que ninguém espera: dispositivos no pescoço dos espectadores liberam aromas específicos conforme a cena avança.

  • Cenários naturais iluminados servem de fundo para encenações épicas.
  • Tecnologia olfativa sincronizada amplia a imersão além do visual e sonoro.
  • Teatro rotatório com 200 atores: o palco gira e a plateia também, mudando ângulos sem cortes.

“Nunca imaginei ver isso na China, porque nossa referência sempre foi os EUA”, admite Martins. A capacidade de integrar hardware, logística e storytelling em escala massiva colocou o país em outro patamar.

Varejo como parque de diversões

A lógica da experiência não ficou restrita ao turismo. Martins cita o fenômeno Labubu como prova de que lojas viraram “espaços de entretenimento puro”. Não se vende apenas um produto; vende-se a caça, a fila, a surpresa e o ambiente instagramável.

Para ele, existe uma “lógica maluca” funcionando: o poder centralizado toma decisões rápidas de infraestrutura e regulamentação, enquanto uma máquina de consumo capitalista ferve na base. O resultado é agilidade zero-burocracia para testar e escalar formatos novos.

Missão exclusiva para novembro: últimas vagas

A conclusão prática veio na forma de uma missão empresarial. Martins notou que existiam dezenas de viagens focadas em IA e robótica, mas nenhuma com curadoria exclusiva para experience design. O grupo parte em novembro com teto de 15 participantes — restam cerca de 5 vagas.

O perfil já confirmado mistura donos de agências, executivos da indústria de embalagens e especialistas em aprendizagem corporativa. O objetivo comum: decifrar como aplicar a “lógica chinesa de experiência” em negócios brasileiros.

O que observar daqui para frente

A disputa global pela atenção do consumidor migrou de “quem tem a melhor tech” para “quem entrega a melhor jornada sensorial”. Empresários que ignorarem a integração entre físico, digital e olfativo correm o risco de ficar reféns de referências antigas. A próxima fronteira não é apenas digital; é totalmente imersiva.