Justiça

Greve nos Correios: TST para julgamento e paralisação segue sem data para acabar

Trabalhadores dos Correios em greve protestam diante do TST em Brasília
Greve dos Correios completa 11 dias enquanto TST adia julgamento do dissídio para quinta-feira

O Tribunal Superior do Trabalho interrompeu nesta segunda-feira (21) a análise do dissídio coletivo dos Correios, jogando a definição do fim da greve para quinta-feira (24). A paralisação, que já dura 11 dias, continua.

A decisão partiu do ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente da corte, após a estatal apresentar documentos de última hora pedindo a declaração de abusividade do movimento — o que renderia multa de R$ 200 mil às entidades sindicais.

Por que a sessão foi suspensa?

A relatora, desembargadora Maria de Nazaré Medeiros Rocha, já havia lido seu relatório. Concluiu pela não abusividade da greve, confirmou a data-base da categoria e determinou o retorno ao trabalho já nesta terça (22), com compensação dos dias parados.

Mas a chegada da nova papelaria dos Correios mudou o rumo. Para o ministro Vieira de Mello, julgar com base em provas não examinadas pela defesa dos trabalhadores feriria o devido processo legal. “Estaríamos decidindo sobre ilações”, afirmou.

O que está no centro do conflito

O ponto nevrálgico da negociação é o plano de saúde. Funcionários, aposentados e dependentes veem risco de perda de cobertura ou aumento de custos — a empresa não detalhou publicamente a proposta mais recente.

Enquanto isso, a liminar que exige 80% do efetivo em cada unidade segue valendo. Na prática, consumidores e pequenos lojistas relatam encomendas paradas, rastreamento sem atualização e pedidos de reembolso de frete em alta.

Impacto direto no bolso do empresário

  • E-commerces dependentes de PAC e Sedex acumulam atrasos
  • Marketplaces já alertam vendedores sobre prazos estendidos
  • Reembolsos de frete viram custo extra não planejado

A estatal afirma ter remanejado equipes e adotado “medidas logísticas específicas” para preservar as entregues. A federação dos trabalhadores (Findect), por sua vez, orientou a base a manter a greve até o novo julgamento.

O que observar nos próximos dias

Quinta-feira (24) é a data-chave. O TST retomará a sessão com os advogados de ambos os lados já cientes dos documentos apresentados. Até lá, a assembleia da categoria pode reforçar ou enfraquecer o movimento.

Para quem depende da logística dos Correios, o cenário exige planos B: transportadoras privadas, pontos de retirada ou renegociação de prazos com clientes. A incerteza, por enquanto, é a única certeza.